Bancos Centrais equacionam emissão de dinheiro digital

Com a crescente popularidade da Bitcoin, os Bancos Centrais mundiais estão a estudar a possibilidade de emitir a moeda digital garantida pelos Estados. A transformação pode reduzir custos no sistema de pagamentos e permitir às autoridades maior controlo sobre a emissão de dinheiro, mas levanta também questões de segurança e privacidade.

Até ao momento, nenhum Banco Central emitiu versões digitais de suas próprias moedas fiduciárias. No entanto, esta hipótese está a ganhar terreno e vários dirigentes de vários Bancos Centrais começam a considerar que um sistema de pagamento digital é inelutável.

Carolyn Wilkins, vice-governador do Banco do Canadá, num discurso a 13 de Novembro afirmou"Temos que conceber um mundo onde as pessoas usam principalmente dinheiro digital (...) Precisamos antecipar essa realidade e gerir os riscos e benefícios que possam surgir".

Até agora os Bancos Centrais não dispunham de uma  tecnologia que lhes permitisse emitir o seu próprio dinheiro digital. No entanto, uma startup sediada em Dublin, Ecurrency Mint, tem tido reuniões  com os Bancos Centrais e apresentou uma tecnologia que alega dar essa capacidade. Esta tecnologia não foi até agora divulgada.

Jonathan Dharmapalan, fundador e executivo da eCM, disse que a empresa tem discutido a tecnologia com 30 Bancos Centrais, feito demonstrações em vários países e chegou a acordo com dois destes para lhes fornecer a tecnologia necessária para emitir a moeda. No entanto, não quis adiantar a que os bancos ou países se refere e espera que seja anunciada publicamente, em breve, pelos próprios bancos.

Segundo afirmou, ao contrário da Bitcoin, a sua tecnologia não foi concebida para funcionar fora do sistema de pagamentos já existente. Em vez disso, a tecnologia apresentada permite a transferência de  dinheiro entre os consumidores, comerciantes, bancos e empresas de pagamento, utilizando sistemas de transacções digitais novos e também os  já existentes. Ou seja, muda apenas a apresentação da moeda, sem alterar os circuitos, através do qual circula nos dias de hoje.

Nos últimos anos, o Canadá e o Equador têm feito as suas próprias experiências com tecnologias de pagamento digitais e o tema do dinheiro digital está no topo das prioridades de investigação dos Bancos Centrais do mundo inteiro. The Bank for International Settlements, cujos membros incluem 60 Bancos Centrais, é referenciado num artigo no mês passado como defensor de que as moedas correntes digitais existentes, tais como a Bitcoin colocam a real possibilidade de perda de controlo do sistema monetário por parte das autoridades e, assim, "uma opção é equacionar o uso da tecnologia para emitir moedas digitais".

Dirigentes da Reserva Federal dos EUA dizem acompanhar a evolução, mas não consideram a emissão de moeda digital.

A perspectiva é atraente para os banqueiros centrais por uma panóplia de razões. Ao nível básico poderiam poupar dinheiro na impressão de papel moeda. Mr. Dharmapalan afirma que a emissão de moeda digital custaria 10% do equivalente em papel.

Uma moeda digital segura amplamente utilizada poderia facilitar o crescimento de serviços financeiros digitais, que têm desempenhado um papel positivo nos países pobres, alargando os empréstimos e o poder de compra às comunidades que não têm acesso aos bancos tradicionais.

Andrew Haldane, economista-chefe do Banco da Inglaterra, afirma que  uso alargado do dinheiro digital pode criar novas possibilidades na política monetária, num momento em que estes instrumentos estão a ser empurrados para lá dos seus limites para impulsionar a economia global.

Os decisores políticos têm evitado taxas de juros negativas, em parte, porque temem que os consumidores retirem o seu dinheiro dos bancos se sentirem que a taxa negativa vai diminuir o valor da sua conta. Se não houvesse dinheiro físico, os titulares das contas não teriam essa opção.

Os banqueiros centrais consideram atraente a capacidade de melhor monitorizar as transferências, uma vez que as transacções em papel moeda são anónimas e susceptíveis de usos ilícitos. Outras moedas digitais, como a Bitcoin, também garantem algum anonimato.

Por outro lado, a ideia do Governo ser capaz de monitorizar todas as transacções digitais pode levantar preocupações com a privacidade, pois as transacções digitais são mais fáceis de controlar do que as transacções em dinheiro físico.

Mr. Dharmapalan, por sua vez, assegura que a sua tecnologia pode preservar a privacidade ao tornar a quantidade de moeda em circulação visível para o Banco Central sem permitir que este ligue as transacções às pessoas.

A adopção, em larga escala, de dinheiro digital também coloca novos desafios para os Bancos Centrais que estão encarregues de supervisionar a quantidade de dinheiro em circulação e garantir a segurança do sistema de pagamentos contra hackers e falsificadores.

O interesse dos banqueiros centrais na moeda digital é uma reacção inevitável perante a rápida evolução das tecnologias de pagamento. O sistema de pagamento actual já é electrónico, mas em muitos aspectos é uma versão digital do que já existia antes da Internet, na medida em que ainda depende de Bancos Comerciais ou outras empresas financeiras para agir como intermediários nos processos de pagamento.

Esses intermediários incrementam os custos e isso potenciou tecnologias mais eficientes como a Bitcoin, que prescindem de agentes de quitação.

A Bitcoin, no entanto, foi desenhada e concebida para funcionar fora da alçada dos Bancos Centrais. Mr. Dharmapalan afirma que sua tecnologia "permite que o regulador obtenha os benefícios da moeda digital, mantendo o controlo sobre a mesma".

 

Fonte | Tradução de jornalbitcoin.pt

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